quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Não foi só um cachorro


Essa semana eu queria escrever algo leve, mas, assim como milhares de pessoas, estou imersa na dor e tristeza, por saber do grito de socorro, em vão, e da dor de um anjo de quatro patas, que foi covardemente assassinado, por quem deveria protegê-lo. Pois então, sinto-me quebrada, mais uma vez. Como mencionei no texto anterior, a gente vive quebrado(a), e se quebrando a cada dia. Quando acontece algo que comprime nosso coração, e nos rasga por dentro, a gente se estilhaça. Assim, eu, e outros milhares, quebramos essa semana com a terrível notícia da morte, covarde, do pobre cãozinho que vivia no Carrefour, de São Paulo. Esse assassinato não doeu apenas naquele anjo. Cada paulada atingiu também a nós, que temos empatia, que  amamos os animais, e sabemos  o quão inocentes, puros , bons e indefesos eles são. Não, não foi apenas um ser vivo de quatro patas, que sente dor, amor, fome, sede, que sofreu. Hoje somos milhares, e quem sabe milhões de humanos brasileiros, que sangramos e sentimo-nos quebrados. Mas que esses estilhaços nossos, e essa morte não seja em vão! Cada caquinho de nós, caído no chão, há de se somar a outros, e com nossa força coletiva, derrubarmos o paredão da impunidade aos maus tratos aos animais nesse país. Aquelas patinhas cruzadas, e aquele olhar meigo, hão de viver sempre em nosso coração, e serem a marca de uma nova história para os anjos de quatro patas, que tanto amamos, e muito merecem nosso respeito.  Por enquanto, apenas resta-me pedir perdão à este anjo. Perdão por pertencer à esta raça tão medíocre e cruél! Perdão por não estar perto de ti para te salvar! Perdão, perdão, perdão, anjo de patinhas! Por ti, eu estou sangrando, com meus cacos no chão. Mas que teu sofrimento não seja em Vão!

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Viver é quebrar-se




Eu amo os textos da jornalista e escritora Eliane Brum. Ela tem o dom de externalizar, com extrema sensibilidade, e com poesia, a realidade, as vezes oculta, da vida. Num desses textos, que se chama “ A menina Quebrada”, ela “usa” a personagem, uma menina de 9 anos, que quebrou uma parte do corpo, para explicar que todos nós quebramos, principalmente por dentro, e  vivemos quebrados, na tentativa de achar um sentido para seguir em frente. Pois bem, eu também sou convicta disso, e “quebrada” como sou, complemento que, viver é quebrar-se, tão constantemente que, se pudéssemos nos enxergar segundo nossas fissuras, seríamos um mosaico, cheio de ladrilhos, alguns maiores, outros minúsculos, conforme a estrutura emocional de cada um de nós.  Cada quebra, é um desafio para nossa capacidade de recompor-se, e continuar inteiro(a), mesmo estraçalhado(a), com mil caquinhos colados.  A beleza e sabedoria desta existência, talvez residam na capacidade de (re)colar-se, e (re)fazer-se colorido(a), mesmo diante dos inúmeros estilhaços que a vida nos acomete. 
E tem gente que quebra mais, outros, menos. Mas quebrar-se menos , nem sempre significa recompor-se mais, e com maior intensidade. Há tombos, como a perda de um familiar,  por exemplo, que isoladamente, são capazes de quebrar-nos, em uma só vez, muito mais do que nós quebraríamos, com várias outra quedas, por toda a vida. E estes ladrilhos, com o tempo conseguimos colar, mas jamais serão coloridos.  Ademais, há os tombos mais leves, comuns a quase todos, como uma decepção amorosa, uma perda material, um objetivo não atingível, uma desilusão com um amigo, uma enfermidade leve, entre outros. Para essas quebras, o chão será mais sereno, e a recomposição mais bela e rápida, de acordo com a estrutura emocional de cada um. Compor-se-á mais colorido e resistente, aquele que souber pegar cada um dos seus estilhaços para fazer uma base forte, que em uma nova queda, não o afete tanto.
Pois, acredito também, que, erguer-se, e recompor-se em cores, não deleta da mente a força e o impulso que fez-nos quebrar. Muito me quebrei, e, muito jovem ainda, em sonhos, em projetos, e pelas ações maldosas de pessoas, e também, muito renasci, na maioria das vezes, com ladrilhos coloridos. No entanto, não esqueço, jamais, o que me doeu. O ensinamento, penso eu, é estar segura para nunca mais deixar-me quebrar pelos mesmos motivos.  Ai reside o poder da nossa recomposição, e a lição de que quase sempre é possível resgatar a cor, em meio à escuridão do mundo que nos estilhaçou. Atualmente vivo quebrando, mas por outros motivos. Jamais me meteria nas mesmas emboscadas da vida, que me fizeram fissurar no pretérito.
E o que leva alguém a quebrar-se, não necessariamente é o mesmo que induz o outro a romper-se. Cada um, no seu íntimo, sabe o que o faz quebrar, e o que trinca sua estrutura. Aí  depende do quão seguro é o seu chão para suportar determinadas provações da vida. O que dói mais em ti, não necessariamente será o dolorido em mim, e vice e versa, porque somos diferentes, em vivências, em relações de todo tipo, em personalidade.  O fato, é que nossa fragilidade está diretamente ligada à condição humana, assim como nossa força.  Então, nesse dolorido ato de quebrar-mo-nos que é viver, testaremos dia a dia, nossos cacos frente aos caos do mundo, ora nos quebrando a nós mesmos, ora, sendo quebrados pelos outros, ora, pela imprevisibilidade da existência.
O certo de tudo, é que a nossa evolução não aflora senão de quase sempre, um dolorido processo de intensas fissuras (eu que o diga). Quebramos tanto, e evoluímos tanto, que por vezes, nesse mosaico que somos, já nem nos reconhecemos mais, e isso, nem sempre é ruim.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Aquele lugar

Quem foi que roubou a margarida branca de mim¿ E os lírios, ainda orvalhados das manhãs serenas e ensolaradas¿  Aonde foi que terminara, sem que eu me desse conta, a estradinha de flores, de distintas as cores e diferentes aromas¿  Onde se esconde a sanga mansinha e límpida, onde eu banhava meus sonhos, e  via refletida a vida, tão doce¿ E o rio, que corria ao ritmo da dinâmica tranquila, do longínquo lugar, onde tudo também passava devagar ¿  E as árvores magrelas, que me emprestavam seus galhos, para desfrutar do seu balanço, tão leve, quanto o vento daquele lugar ! Aonde  se foram os dias, que afloravam cintilantes , sem a pressa  de para outro pular¿  Ah, e aquela estradinha, tão estreita e longa , que meu corpo magrelo vivia a transitar com os livros . Ah, os livros! Esses sim, sempre foram, desde sempre, minha inspiração tão peculiar! Por eles, fiz trilhos e trilhas, desafiei meus medos, desdobrei os mais tortuosos caminhos! Mesmo na humildade daquela casinha de madeira, nas noites à luz de velas, eu devorava-os, incansavelmente! E assim, a vida começou a tomar outra engrenagem! O meu andar já perpassava o ritmo daquele pacato e sereno lugar, sem que eu pudesse notar.  Os livros foram a alavanca, que me fizeram, inconscientemente, começar a achar pequenos demais aqueles amanheceres. As margaridas, os lírios, a sanguinha, o rio,e quase tudo de lá, aos poucos , foram cedendo espaço aos sonhos, que as páginas me proporcionavam. E assim, sem que eu vislumbrasse a velocidade e fugacidade do tempo, os livros me tiraram de lá. Então, o meu mundo  já se norteava pela égide de outras páginas, mais exatas, menos coloridas, bem mais tensas, por sinal!  E à luz dos novos sonhos, ficou esquecida a antiga vida! Hoje, depois de anos do descortinar desse novo horizonte, me indago,  aonde foi que ficaram as flores, as árvores, a estradinha, do interior da minha infância, e de repente, percebo que eu que as roubei de mim mesma, na ilusão de um outro universo, que agora me questiona aonde foi parar a beleza e a simplicidade da vida.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Quem passa pelo centro de Porto Alegre jamais será o mesmo

Não sou uma pessoa urbana, pelo contrário, tenho raízes e paixão pela liberdade, naturalidade, beleza e potencialidades do campo. Mas partir dele foi uma escolha necessária para deixar voar os sonhos de formação, de outras novas possibilidades e, por isso, tento nutrir-me dos momentos urbanos.  Não gosto de muvuca nem de multidão, mas adoro contemplar a diversidade da vida e, nesse sentido, caminhar pelo centro de Porto Alegre é algo que sempre me fascina e remete a voltar.  
Para quem anda com olhar um pouco observador, o centro de Porto Alegre diariamente se renova, em centenas de nuances, que refletem a pluralidade, as contradições, as tristezas porém , ao mesmo tempo, as belezas da vida. Há um frase que diz “tu não podes tomar banho duas vezes no mesmo rio, pois aquelas águas já terão passado e você também não serás mais o mesmo”. Pois arrisco-me a afirmar o mesmo sobre o centro de Porto Alegre: “Você não passarás duas vezes no mesmo centro, pois ele terá novos atores e novas histórias eclodindo, e tu não será mais o mesmo, pois, terás levado um pouco delas contigo”.  
Resido aqui há 8 anos e, sempre que volto do centro, há algo de novo, gritante dentro de mim, oriundo das cenas, tramas e memórias dele. Desde o mendigo que abocanhou um toco de cigarro no chão e brindou a saúde, o homem de pinos metálicos nas pernas e na vida sofrida da rua, os indiozinhos balançando o corpo e cultura na hibridização que é o urbano, até a vendedora de calcinhas que não se cansa de anunciar e invocar a imaginação dos adultos,  que em algum lugar, mágico talvez, há uma fábrica delas, de todas as cores, tamanhos e para todos os gostos. E o que seria do centro sem as vozes roucas daqueles que num ato infinito de esperança ecoam a compra de ouro e cabelo.
 O centro de Porto Alegre é uma teia tecida, diariamente em tons diferentes, pelos milhares de transeuntes que o compõem, e fazem dele, um lugar único. Alguns fatos se repetem diariamente, nunca iguais, porque são feitos de pessoas que mudam continuamente, mas outras histórias que se desenrolam, são incomuns, e requerem um pouco mais de observação. São daquelas cenas que incrustam de perguntas a alma e, implicitamente nos fazem metamorfosear num ato secreto depois de tê-las presenciado.  Carregadas de contradição e interrogação, nos revelam que a vida é muito mais do que dogmas, aparências e existência física. 
Dois desses casos presenciei essa semana quando caminhava no centro. Um dia, entre uma pilha de embalagens, roupas amassadas e jornais, um mendigo esforçava-se a contemplar uma revista playboy.  Na lacuna vazia de amor, carinho e companhia, fitava a mulher de papel, repetidamente nua e, insinuando-se aos seus olhos. As folhas secas de vida materializavam para ele, talvez, um sonho perdido, uma ilusão criada e, ao mesmo tempo, ainda lhe afirmavam a condição de permanecer humano, com algum  desejo na vida. Que são os homens senão a condição de desejar, de sonhar?  Para mim aquela cena não era apenas um homem vendo uma revista, mas uma história incompleta, um contraste gritante entre a multidão e estar só. A inconcebível condição humana de pobreza.  E o que falar da cachorra amarela, de tope laranja na cabeça, que sorria ao ser acariciada em seu carrinho de dormir, que, também era o local onde seu dono carregava os seus poucos pertences? Em meio à multidão de transeuntes, a cadelinha “Lésleilaine” despertava a admiração e caridade de alguns e, ao mesmo tempo, chamava a atenção para triste situação de vida do seu dono. Entretanto, como não definir a condição de felicidade a qual manifestava ele que, orgulhava –se ao falar de sua “filhinha” para a qual deposita todo o amor que tem e recebe em troca? Para que melhor definição de amizade do que a relação de cães e seres humanos que vivem nas ruas?  Como definir solidão, gratidão, aconchego, riqueza e pobreza? Volto em casa, emaranhada de nós e novos saberes e, sempre que retorno, há um novo centro em mim e  há um centro novo  no centro de Porto Alegre. 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

O mendigo que comprou a Lua


Essa semana eu conheci a Lua. E quase que na pressa tão peculiar dessa cidade cinzenta, eu a deixo passar por mim despercebida, apesar do seu brilho aparente.  A lua andava ligeiro, de um lado e pro outro, e assim, me fisgou atenção, e conduziu meu andar para vê-la mais de perto. Aproximei-me dela e com um iluminado olhar ela dirigiu-se à mim.  Um pouco me dava atenção, outro instante, agradava seu dono como se me dissesse - eu sei que você me percebeu e me quis bem, mas preciso iluminar de carinho quem cuida de mim. Eu entendi, e fitei meus olhos a contemplar a Lua.  Ela corria ao seu colo, lambia seus dedos,  fazia peraltezas, típicas de uma criança pequena.
Dei dois passos a frente, aproximei-me mais e, indaguei ao dono da Lua: Como conseguiste essa Lua tão bela para você?  - Comprei da rua! Respondeu-me orgulhoso ele. E complementou: - Agora eu cuido dela e depois quando ela crescer, ela cuida de mim, porque eu moro na rua e só tenha a Lua!
Ofereci uma moeda para o dono da Lua e disse: cuide bem dela e, que ela te cuide sempre!  E assim, despedi-me naquela tarde cinzenta, pedindo a Deus que a Lua ilumine os passos do pobre e rico homem da rua, o qual nada de material possuí, mas afinal, o que é mais grandioso que o amor da sua Lua?
Foi assim que dobrei a esquina, depois de dialogar com o mendigo e sua cachorrinha “Lua”, ainda menina.  
Para sempre torcerei que a Lua ilumine os passos e a vida sombria daquele homem que deposita os sonhos na laje da rua fria. E que a Lua possa ser luz e lhe e lhe iluminar de amor, mesmo nas tempestuosas noites que sua alma latejar na escuridão desse mundo desumano. 
.... Sem mais para hoje...

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O Inconcebível Retrocesso Digital da Expointer 2014


A inclusão digital derrubou as barreiras de espaço e tempo entre os indivíduos e, ademais, tornou a comunicação pela internet algo inerente ao cotidiano pessoal.  O Brasil é um dos países com maior crescimento em acesso à rede.  Atualmente as pessoas acessam a internet para ler e fazer postagens tanto de casa, como do trabalho,  praia, parque, dos locais em que passeiam e visitam. Fazer um login, tirar um foto, ler um post, compartilhar ou comentar, é algo intrínseco à rotina dos brasileiros beneficiados com o acesso digital.
 Hoje, em qualquer empresa, de pequeno ou grande porte, pode faltar água para oferecer mas não, a senha do Wifi, tão vital que a internet se tornou em nossa cotidianidade.  Se, para a pessoa “comum” ela ocupa papel central, para os profissionais, em especial os de comunicação, é imprescindível. Aliás, as empresas, tanto de comunicação como de outros segmentos, investem cada vez mais no meio digital, tamanha a importância do online na atualidade.  Para os profissionais de comunicação a internet é a principal aliada na rotina de trabalho, pois, permite a divulgação momentânea dos fatos, maior alcance das notícias e de público, além de proporcionar interação com os leitores. Numa época jornalística em que a instantaneidade é a palavra de ordem sendo que, o próprio presente se torna obsoleto em uma questão de minutos, ou de posts, a falta de internet é algo inconcebível para profissionais e organizações, pois, além de impossibilitar o trabalho, significa também, perda de visibilidade para qualquer fato.
Esse foi o contexto vivenciado pelos profissionais de comunicação que tiveram a incumbência de fazer a cobertura da 37ª Expointer, ocorrida entre os dias 30 de agosto a 07 de setembro de 2014, em Esteio, RS. A falta de acesso à internet no local causou prejuízos aos profissionais, danos à imagem do evento, bem como, perdas tangenciais no que se refere à possibilidade de visibilidade estendida pelos próprios visitantes que, tão costumeiramente, chegam aos locais, fotografam, postam nas redes sociais, compartilham e curtem, o que gera engajamento e publicidade gratuita para qualquer acontecimento.
Em se tratando de um evento de majestoso porte e tradição como é a Expointer, o acesso à internet deveria ser algo tão natural como os serviços de banheiro, de credenciamento ou de comercialização, por exemplo.  Numa feira com 37 anos de história é tão sábido da normalidade da presença de centenas de profissionais de comunicação, tanto de veículos como de empresas expositoras, quanto o fato de que eles necessitarão divulgar sua cobertura e, nesse caso, no ano de 2014, divulgar é sinônimo de internet.
Quem conseguiu veicular conteúdo atualizado da feira, com raras exceções, teve que sair do parque de exposições, se dirigir ao local de trabalho ou à sua própria casa, para visibilizar os fatos.  Como profissional de comunicação, em um primeiro momento eu não acreditei na possibilidade de não ter internet no lugar, depois, pensei que seria reparado urgentemente, por fim, indignei-me e me “virei” como pude para transmitir informação, ou seja, trabalhei duplamente, de dia no Parque de Exposições Assis Brasil e, de noite em casa, sem “obedecer” a “regra” da instantaneidade das coisas, cabe destacar. Hoje, passado o fato, vejo que o maior prejuízo da falta de internet foi da própria Expointer que perdeu a chance de expandir o evento para além das fronteiras físicas, seja através da imprensa ou dos próprios visitantes.
 Para Taline Schneider, assessora de imprensa da presidência da Emater/RS, não ter internet na feira, prejudicou tanto os jornalistas quanto o público. “Foi um caos total. Os jornalistas “penaram” porque precisavam postar fotos e notícias com instantaneidade e não conseguiam. Os visitantes não conseguiam acessar nada. Nem sinal de telefone havia. De duas operadoras de telefone diferentes, Tim e Vivo, nenhuma estava funcionando, toda a comunicação estava impraticável”, ressalta ela.  Taline, também só conseguiu postar a cobertura, à noite, de casa. “Me senti no meio da lavoura do interior do interior do Rio Grande do Sul. Teriam que ter se preparado para oferecer mais velocidade para tanta gente, pois, não adianta disponibilizar o serviço, mostrar que tem sinal e não permitir conexão” desabafa a jornalista.
Prejudicou muito o trabalho, salienta a jornalista Aline Rodrigues da Cresol Central. “ Atrasou as publicações e atualizações em sites e redes sociais. Tendo em vista que hoje a instantaneidade se faz necessária, em pleno ano de 2014, para uma feira deste tamanho, não ter internet é algo inconcebível”, diz Aline.
A jornalista Anahi Fros, assessora parlamentar também relata os prejuízos profissionais com a falta de internet. “Estive na 37ª Expointer em duas ocasiões. Na primeira, já havia tido grandes dificuldades de fazer ligações, um problema bastante complicado, já que sou assessora de comunicação de um deputado estadual. Na segunda, fazia a cobertura da solenidade de abertura oficial do Pavilhão da Agricultura Familiar, com a presença do governador Tarso Genro e do então ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto. Precisava colocar as fotos imediatamente nas redes digitais do parlamentar com o qual atuo, mas foi impossível, pois a internet igualmente não funcionava no local. Resultado: as imagens e textos tiveram de ser inseridos nos canais de comunicação tarde da noite, horas depois do ocorrido. Algo difícil de explicar em tempos de conectividade e agilidade de informações”, aponta  Anahi.
Em suma, a falta de inclusão digital no parque, prejudicou os profissionais e empresas, impossibilitou a expansão da visibilidade da feira pelos visitantes e, acima de tudo, no contraponto do sucesso de vendas e visitas desta edição, deixou a marca negativa de retrocesso digital, fato, inconcebível para 2014 e, para o porte do evento. 

Texto: Fabiane Altíssimo
Depoimentos:
Jornalista Aline Rodrigues - Cresol Central
Jornalista Anahi Fros - Assessora Parlamentar
Jornalista Taline Schneider - Assessora da Presidência da Emater

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Recepção aos Ganeses em Caxias: quando a mediocridade se torna pública


Já diz o ditado que as palavras são como pedras; depois de atiradas não têm mais volta. Não raro que faço de conta que algumas “palavras”  atiradas ao vento por ai,  não me atingem e, assim, embora machucada, permaneço em meu silêncio gritante, sem dizer nada.  Mas existem algumas que, de tão ásperas e nojentas, ao invés de pedras, me acertam como balas de fuzis, e ai, é impossível calar o grito. Pois então, foi assim que me senti  essa semana ao ver a reportagem do programa  “Fantástico” a qual tratava sobre a onda migratória de africanos no Brasil, mais precisamente, em Caxias do Sul, RS.  E, agora, antes de eu “atirar” minhas palavras, quero dizer que não pretendo generalizar  ao manifestar minha mais profunda repugnância àquelas pessoas que  falaram pelos cidadãos de Caxias pois conheço gente muito boa daquela terra. Mas não há humanidade que suporte  calada tanto preconceito, desinformação, desumanidade e mesquinhez vindas de pessoas que abriram o  “esgoto” de seus seres ao falar sobre os imigrantes Ganeses que vieram ao Brasil em busca de trabalho. Sim, os africanos arriscaram suas vidas, deixaram sua terra, suas famílias, seus amores, sua cultura e, se  “atiraram”, no mais incerto desconhecido para BUSCAR UM TRABALHO, digno. Um trabalho que, no Brasil é refugado e não consegue ser preenchido.  Os nossos irmãos africanos vieram do outro continente para buscar um lugar ao sol, honestamente, fato que, em suas terras, marcadas pela corrupção, ditatorialismo e guerras não é possível.  Eles não nos vieram pedir um favor, mas sim, oferecer sua  força de trabalho para ganhar a vida, para sobreviver.  Buscam postos de trabalho, aqui considerados insalubres e de baixa remuneração, mas para eles,  é a única forma de tentar uma vida melhor.
Antes de tudo, os imigrantes que aqui chegam,  deveriam ser admirados pela sua coragem em deixar tudo para trás e, pela sua humildade em se sujeitar a qualquer condição de trabalho pois diga-se de passagem, muitos desses  são qualificados, com curso superior e pós graduação, e aqui trabalham no chão de fábrica , com a maior felicidade.
Mas, o que mais me dilacera o coração é perceber, pela fala dessas pessoas  (que se manifestaram publicamente) na melhor das hipóteses, ignorantes,  a falta de humanidade.  O que esses seres “vomitaram” em rede nacional, legitima um pouco a descrença no ser humano. Ora, pois então as fronteiras geográficas eliminam nossa capacidade de se colocar no lugar do outro?
Que dor senti ao ver o nosso irmão africano, tão feliz ao afirmar que gosta tanto do Brasil porque as pessoas não são preconceituosas por aqui. Mal sabe ele, que pedras ásperas destilam veneno no peito de muita gente.   E além do mais, se já não sobra humanidade em muitos corpos que rastejam por ai, pelo menos um pouco de história deveria fazer conter a insipiente petrificação navalhada que assola  as paredes de suas  almas. Esquecem-se estes incultos  do que é feito o Brasil? Pois lhes digo: de imigrantes, de todos os lugares do mundo que viram nessa terra uma esperança de reconstruir a vida e uma oportunidade para fugir da miséria. O Brasil extenso em suas dimensões geográficas é também, gigante em sua diversidade de povos. Todos nós brasileiros, temos um pé na Africa, outro na Europa, uma mistura de Asia, um pouco de América  e por ai vai.  E se naquela época em que os imigrantes povoaram o Brasil tivessem encontrado almas pequenas como essas de Caxias do Sul, o que seria desse país hoje? Me questiono: onde será que “dorme” a história dessas pessoas que repudiam os Ganeses, Senegaleses, Haitianos?
E ainda, a pergunta que não quer calar: o mesmo tratamento seria dado se estivéssemos vivendo uma onda migratória de europeus, norte-americanos, ingleses? Ou,  será que a face da visualização seria outra? Seriam eles com seus corpos brancos e olhos claros, aclamados e louvados  por vir ao Brasil engrandecer o mercado de trabalho e nos encantar com sua cultura?
Outra:  qual  é o  parecer  quando o caminho de partida é do Brasil em relação aos outros países? Quando  nós brasileiros vamos estudar, trabalhar, aprender uma língua no exterior,  é “chique”, é o máximo e, queremos que todo mundo nos receba bem porque somos do Brasil.  Mas quando o caminho é o inverso, ai a recepção depende da geografia...
Ah, sim, mas é muito mais fácil não olhar trás, nem enxergar o próximo, mas  isolar-se em seu mundinho medíocre e achar que  sua vida não tem nada a ver com a dos outros e, vice e versa, num longo processo de petrificação do ser .
Obs: Saliento aqui que tenho consciência de que o Brasil talvez não estivesse preparado para uma intensa onda migratória , no entanto,  argumentos medíocres devem ser fortemente contestados para que não inspirem mais leviandades.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

O Problema não é a Copa


À esses que tanto estão 'gritando' contra a copa: por que não protestaram contra quando o Brasil estava pleiteando o evento? Agora, de nada adiantará sair quebrando coisas e gritando palavras de ordem como se a copa fosse a razão de todos os males. Esse comportamento é típico da visão míope que chora sobre o leite derramado. Ou seja, que não planeja, não age e não se posiciona enquanto é tempo, mas deixa as coisas acontecerem para depois reclamar. Claro que vivemos num país ainda carente de tantas coisas, mas, se a copa não fosse no Brasil teríamos um país melhor, assim do dia para a noite? 
Nosso verdadeiro problema não é a copa, mas séculos de má administração, de injustiças, de falta de planejamento, do tal jeitinho brasileiro para tudo. Nosso problema não é só político partidário como ora se faz questão de falar, pelo contrário, inicia com a malandragem que fura fila, que ultrapassa pelo acostamento, que joga lixo no chão, que suborna os outros para obter vantagens, que deixa tudo para a última hora e ainda, perde o prazo e pede prorrogação. E, se copa do mundo fosse realizada somente em países super desenvolvidos, não teria ocorrido por exemplo, na Africa do Sul, e, com muita recepção e organização diga-se de passagem. Veja o histórico de pobreza, ditadura e segregação da Africa! 
Há sim uma assimetria entre a realidade do povo e, dos jogadores e os padrões impostos pela Fifa para a realização do evento. Tudo isso é evidente e também me irrita! Existe sim um abismo entre a minoria que pode assistir a copa nos estádios e, a maioria que assiste da TV da sala. Mas essa desigualdade não foi a copa quem produziu, o evento só visibiliza as diferenças sociais, culturais, econômicas desse enorme país marcado por 500 anos de história de injustiças. 
O que me assusta é ver pessoas crendo que a copa é a raíz dos nossos males e culpando todos eles por quatro anos de administração. Se eu tivesse que escolher, ela não viria ao país, mas como a sediamos, torço pelo Brasil e acho que temos que aproveitar a oportunidade de expor nossa marca positiva no mundo, porque sim, temos muitas coisas boas para mostrar, muito mais do que ruins. 
E aos que estão por ai gritando e quebrando bens públicos e privados, comecem sendo a mudança que querem ver no mundo. A sociedade que almejamos se faz na luta diária de cada esforço individual ou coletivo, na vida privada e pública. Que gritemos sim, que protestemos ( sem quebradeira), agindo na raíz verdadeira dos problemas!

segunda-feira, 19 de maio de 2014

O que o Linchamento em Guarujá Denuncia sobre o Território Digital


     Diante de tantos acontecimentos oriundos da ainda recente comunicação e inclusão  digital, não sei o que me assusta mais: se a crise e “fraqueza” das fontes ou, se a “cegueira” dos internautas. Mas hoje vou me deter em comentar sobre a segunda situação.
     Com a era digital, na minha percepção, em muitos sentidos voltamos à comunicação de massa e de multidão. Sim, aquela que nós comunicadores tanto estudamos e debatemos nos bancos da faculdade pensando que era coisa do passado pois afinal,  no século XXI estávamos na era da  comunicação dirigida, segmentada, personalizada, onde cada indivíduo é único,  tem seus próprios costumes, hábitos, pensamentos e não é facilmente influenciável.
     Pois muitos aspectos da informação/comunicação que vemos na internet são a antítese do nosso sonho de um consumidor/público consciente, distinto e “pensador”.  Para contextualizar isso, é importante salientar que a  “massa”, pode ser ilustrada como um grande público homogêneo, onde as pessoas “recebem” as mensagens e as aceitam sem questionar e interagir, cada uma, em sua própria realidade. Já, a multidão, poderíamos dizer que é essa mesma massa “homogênea” só que, reunida, onde um influencia o outro. Ou seja, se sou massa, me influencio apenas pelo emissor da mensagem/noticia/informação (fonte), mas se sou multidão, logo, sou influenciado pela atitude daquele(s) que está(ão) ao meu lado e, nem questiono se ela é correta ou não, enfim, ajo pelo impulso do(s) outro(s).
   São inúmeros os casos nesse sentido, que se desdobram diariamente no território digital. No entanto, o mais chocante e, elucidativo da questão, foi o linchamento coletivo de Guarujá, fruto de um boato espalhado em uma Fan Page chamada “Guarujá Alerta”. Vimos se configurar ali, exatamente a noção de massa e multidão. De massa: quando o público recebe a mensagem, não questiona, mas acredita e replica. De multidão: quando ele é influenciado pelos outros e parte para a ação coletiva, sem consciência do que está fazendo e, agindo de forma diferente daquela que agiria se estivesse só ( se não estivessem em grupo, aquelas pessoas teriam linchado a mulher, suposta sequestradora de criancinhas?).
      O caso é um retrato de que a democratização digital chegou antes do espirito crítico e da consciência reflexiva no Brasil. Que bom que o acesso à internet e ao computador chega com força no país, no entanto, penso que quão ótimo seria se, nessa mesma velocidade, viesse o desenvolvimento do pensamento crítico. E aqui, nem menciono o fator “educação de excelência/ ensino superior” pois tenho visto muita gente com diploma de terceiro grau (que não aprendeu a pensar),  agir como “massa e multidão” ao aceitar, replicar, compartilhar, curtir inverdades vindas de fontes incertas.
      E assim, segue a “boiada virtual” puxando as carroças pesadas de ideologias e ás vezes, cometendo injustiças brutais como foi com Fabiane Maria.

domingo, 4 de maio de 2014

Faxinalzinho: Um Conflito Injusto



     Na última semana o pequeno município gaúcho de Faxinalzinho foi palco de um terrível desfecho: o assassinato brutal de dois pequenos agricultores, executados de maneira impiedosa por indígenas que reivindicam a demarcação de terras. Tão trágico por si só, o fato também revela uma sucessão de omissões por parte do governo federal e Funai que há tempo já sabiam da tragédia anunciada e nada fizeram para prevenir. Mas além disso e, imensamente grave quanto, é a injustiça que vem sendo feita aos pequenos agricultores, na tentativa de reparar antigas reservas indígenas.
   Quero deixar claro que não sou contra o direito dos índios, historicamente massacrados no país. No entanto, é preciso visibilizar e discutir também o direito de outros injustiçados históricos do Brasil: os pequenos agricultores familiares. Essa “briga” de indígenas contra agricultores, a qual se trava no momento, é tão ou mais injusta quanto àquela que dizimou os índios no período da colonização brasileira.
   Para iniciar a discussão, é oportuno evidenciar que estamos falando de dois direitos. Primeiro deles: o dos pequenos agricultores, com escrituras de suas terras (ora reivindicadas pelos índios) e, que muito trabalharam e sofreram para as pagar. Referimo-nos à uma classe historicamente excluída das politicas públicas dos governos. Uma prova é o intenso êxodo rural dos anos 60 a 90 que hoje configura o Brasil como um país essencialmente urbano, com mais de 90% de sua população vivendo (eu diria sub-existindo) nas cidades. Esses, contra os quais os indígenas apoiados cegamente pela FUNAI, travam intensa e sangrenta batalha por terra, são batalhadores das mãos calejadas, que ainda resistem fortemente a todas as intempéries do campo para não engrossar as estatísticas do êxodo rural e, não criar seus filhos na criminalidade das grandes cidades sem perspectivas de vida, ou até mesmo, engordar as filas do MST.
     Por conseguinte, o outro direito em questão é o dos os índios, os quais foram massacrados,  tiveram suas terras arrancadas pelos colonizadores, grileiros, há muitos séculos nesse país. Mas o cerne da questão, nesse momento, é poroso, pois trata-se de recuperar, a força, uma posse legal de mais de cem anos atrás, ferindo cruelmente outros direitos já garantidos – o dos pequenos agricultores. E, se não bastasse, ainda os ameaçando e os matando brutalmente como foi o caso de Faxinalzinho. Então, questionemo-nos: que tipo de justiça se pretende fazer ao injustiçar tão covardemente quem adquiriu, com muito suor essas terras? E mais, massacrando (repetindo o que seus colonizadores fizeram), pobres agricultores familiares? Tal fato, se ilustra na mesma maneira de invasão, violência e covardia com que a 500 anos os colonizadores fizeram no “descobrimento” do Brasil.
    Os indígenas, no momento, tentam reparar um erro contra inocentes, pobres, excluídos e injustiçados tão quanto eles pelo descaso de sucessivos (des)governos desta nação!
Outro fato questionável nessa requisição (já julgada ilegal pelo MP) de posse tange à destinação final dessas terras. Será possível "recuperá-las" para um estilo de vida indígena de 500 anos atrás? E, os índios desejam tal configuração?  O que fariam  os índios, com as terras, em um caso de "reapropriação"? O que fazer para conciliar tantos antagonismos? Infelizmente, há relatos de arrendamentos de terras indígenas para grandes proprietários que, as inflam de agrotóxicos no cultivo de plantas típicas da monocultura, o que fere o estilo de vida intrínseco ao índio. Pois então, ao aviltar a bandeira da recuperação das terras (escrituradas e pagas com muito trabalho pelos pequenos agricultores) seria essencial levantar o debate acerca da desaculturação índigena e incorporação dos costumes dos brancos em grande parte das reservas do estado.  Índio que empresta terras para outros plantarem, que compra roupas de marca, que usufrui de aparatos tecnológicos, já não é mais totalmente índio. Sim, sabemos que isso é consequência da invasão dos brancos, da destruição dos seus habitats, ok. Até aqui tudo certo. Mas então precisamos rediscutir muitas coisas, dentre elas, o que é ser índio hoje, seus direitos e também seus deveres em uma sociedade de 500 anos de história e massacres de todas as formas, contra índios, negros, escravos, pequenos agricultores, mulheres... Esse deve ser o contexto do debate: sob todos os pontos de vista e de injustiças, replicadas há mais de cinco séculos neste país. E ai, os direitos e deveres mudam.
     Se falamos em recuperar antigas reservas indígenas, necessitamos desapropriar boa parte das terras brasileiras que já foram reservas desse povo.  Este é o tamanho do conflito e da questão. Ao governo e à FUNAI, que apoia essa reapropriação, fica a indagação: por que então não desapropriar grandes fazendas, terras improdutivas comprovadamente, que já pertenceram aos índios? Por que arrancar brutalmente da terra os miseráveis pequenos agricultores, tão historicamente massacrados e expropriados das suas propriedades tal qual os índios? E, para onde eles irão, sem dinheiro e sem terra? Qual o seu futuro e dos filhos? Por que tentar fazer justiça eclodindo outra tamanha injustiça?
     Aliás, os pequenos agricultores familiares, esses sim, ainda tentam cultivar valores coletivos entre vizinhos, agricultura orgânica, de subsistência e, criar os filhos com os frutos do seu sofrido e digno trabalho. Eles, (apesar de todo o êxodo rural) são responsáveis por cerca de 70% da produção de alimentos no Brasil. Sim, o feijão, a geléia, a alface que você come, vem da agricultura familiar.
       Se é para tocarmos em “direitos”, pois então vamos fundo nessa questão e, que o governo trate de também recuperar o direito dos agricultores familiares de permanecerem na terra com dignidade pois historicamente eles foram despejados a força para as grandes cidades, muitos por pequenas dividas agrícolas frutos de intempéries do tempo como seca ou chuva o que não lhes permitia colheita. Milhares de agricultores familiares tiveram suas casas e terras “arrancadas” pelos bancos (ainda há pouco tempo vimos com ênfase na mídia e redes sociais o caso do agricultor de SC que por uma pequena dívida, fruto de uma compra de sementes de feijão fora despejado de sua propriedade de 14 hectares, com mulher e filhos, e hoje vive de favor). Então, é vital que ao tocar nesse tema de direitos indígenas, possamos olhar os dois lados dessa questão e, se for para fazer justiça, que ela possa abranger a todos os injustiçados, nesse caso, agricultores familiares e índios.
       Que falemos das dívidas históricas do Brasil com os índios, mas também, do “massacre” oculto que se fez (e ainda se faz) com a agricultura familiar desse país. Somente sob essa égide, a discussão começa a ser justa e, equilibrada, caso contrário, apenas um DIREITO INJUSTO, ao ferir cruelmente outro direito já adquirido de forma legal.